Salvador concentra hoje  quase um terço de todos os médicos-veterinários do estado. São 1.903 profissionais que vivem na capital baiana.  Visando garantir o direito à vacinação, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia (CRMV/BA), enviou ofícios aos 417 municípios e na segunda-feira, 22 de março, participou de uma reunião virtual com o secretário municipal de saúde, Léo Prates.  “As atividades do Conselho continuam ocorrendo, mesmo com as restrições impostas, o que nos preocupa hoje e é nossa prioridade, é conseguir que o governo do estado e as prefeituras  autorizem a vacinação dos médicos veterinários, reconhecendo que somos profissionais da saúde. Nossos esforços estão concentrados neste reconhecimento”, afirmou Altair Santana de Oliveira, presidente do CRMV/BA.

Também participaram da reunião   a vice-presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária, Ana Elisa Almeida, o vice-presidente  do CRMV/BA, Lúcio Leopoldo Aragão da Silva e o tesoureiro Rodrigo Bittencourt.  Além deles, também estavam presentes a Diretora de Vigilância à Saúde, Andréa Salvador, o deputado estadual Tiago Correia, que é médico-veterinário, a vereadora Marcele Moraes, o médico-veterinário Maurício Nogueira,  representando a associação de distribuidores de medicamentos e nutrição animal e  a protetora Patruska Barreiro. Em dez de março, Correia havia encaminhado ofício ao secretário cobrando a inclusão dos médicos-veterinários no programa de imunização.

O Conselho mostrou a urgência e a necessidade da vacinação dos médicos-veterinários, que o próprio decreto municipal considera como prestadores de  serviço de saúde essencial, que  não pode parar durante a pandemia.  Rodrigo Bittencourt alertou que  “os médicos-veterinários estão adoecendo,  estão em risco como os demais profissionais  de saúde, pois atendem aos animais, mas cuidam da saúde humana, o tutor acompanha o animal, trazendo o risco de contágio”.  Ana Elisa Almeida reforça “somos profissionais que exercem serviços essenciais de proteção à vida, e portanto, somos trabalhadores prioritários para vacinação”, esclareceu.

Saúde pública

Além da saúde dos profissionais, o CRMV/BA teme  um colapso geral na saúde pública em várias instâncias. Bittencourt pontou, por exemplo, que em junho de 2020, o hospital veterinário da Universidade Federal da Bahia,  chegou a fechar.  Hoje, devido ao número crescente de casos de Covid entre os médicos-veterinários e técnicos, a instituição pode ficar sem equipe para continuar atendendo o público que procura os serviços do Hospmev.   Consternado ele  perguntou se,  havendo o fechamento, como o município e o estado poderiam absorver esses serviços prestados pelos médicos-veterinários já que não existe serviço público na capital. Por mês o Hospmev atende três mil pacientes, o que ajuda no controle de zoonoses na cidade.

O serviço dos médicos-veterinários também é de necessidade inquestionável na inspeção de alimentos consumidos pela população, na defesa e na vigilância agropecuária, citando algumas das áreas nas quais esse profissional atua. Esses últimos, ligados à fiscalização agropecuária, o secretário estadual de saúde, Fábio Villas-Boas, garantiu que serão imunizados, o que já ocorreu com profissionais lotados na Adab.

Após ampla discussão, o  secretário municipal de saúde, Leo Prates,  compreendeu o que foi exposto e concordou com as demandas, porém, apresentou um  novo documento do Ministério da Saúde no qual é feita a recomendação que profissionais de estabelecimentos de saúde animal não sejam vacinados em decorrência do pequeno número de doses existentes no país.

Isso chegou à Comissão Intergestora  Bipartite (CIB), que repassou a orientação aos secretários dos municípios e Léo Prates declarou  que está seguindo essa orientação por segurança jurídica, com a supervisão do Ministério Público.

Nesse momento, Rodrigo Bittencourt informou ao secretário que, por exemplo, Feira de Santana (segundo maior contingente de médicos-veterinários do estado),  já ofereceu a vacina, Camaçari anunciou que vai começar a vacinar,  Vitória da Conquista vacinou (na segunda, 22)  por agendamento, Jequié, Quinjinque  entre outros municípios baianos e que a vacinação está  ocorrendo em outros estados e no Distrito Federal.

Prates  disse que gostaria muito de vacinar, mas que precisa de um outro documento federal que possa deixar o município respaldado e para isso, determinou que Andréa Salvador fizesse um ofício embasando o pedido do Conselho.

Ontem mesmo o documento  foi feito, com a contribuição do CRMV/BA,   e será enviado pelo secretário  Léo Prates para o Ministério da Saúde e para a CIB solicitando que seja assentado de modo claro a inclusão dos médicos-veterinários na vacinação.

Ações

Desde o começo da pandemia, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia (CRMV/BA) vem buscando formas de manter o funcionamento dos estabelecimentos médicos-veterinários e zootécnicos. Também, assim que a vacinação começou no país, tem usado de todas as vias institucionais para garantir a vacinação dos profissionais.

Por ser uma Autarquia Federal, as ações do Conselho são pautadas pela legalidade e responsabilidade pública, dentro do estrito ordenamento legal e, portanto, todos os atos seguem os devidos ritos estabelecidos na legislação.

Além de ofícios, reuniões e alertas, o Regional baiano está buscando todas as vias disponíveis para que os médicos-veterinários do estado, reconhecidos como profissionais da  saúde pela  Resolução nº 287, do Conselho Nacional de Saúde (CNS), sejam vacinados.

 

 

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