Médica-veterinária conta rotina de trabalho em canil do Batalhão de Choque

Na terceira matéria da série em homenagem ao Dia da Medicina Veterinária Militar, comemorado no último dia 17 de junho, o enfoque é o trabalho de uma médica-veterinária num canil da PMBA [...]

A formatura foi recente, em 2018.2, mas o apego aos animais vem desde a infância. Lotada no Batalhão de Polícia de Choque da Polícia Militar da Bahia (PMBA), em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador, a soldado Vera Lúcia não esconde a felicidade em unir a Medicina Veterinária com o trabalho de policial.

Natural de Pernambuco, foi criada em uma casa com muitos animais como gatos, cachorros e até animais de produção como porcos e galinhas no quintal.

Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina-PE, Vera Lúcia Silva está há onze anos na PMBA.

Desafio de gênero

Após esses onze anos na PMBA a policial analisa que está vivendo o seu melhor momento profissional “estou no meu ápice, tenho reconhecimento e respeito”. A médica-veterinária SD PM Vera Lúcia está lotada no Batalhão de Polícia de Choque, na Companhia de Operações com Cães. Esse BPChq existe há quase trinta anos e é conhecido como “Base Tigre”.

Apesar da Bahia ser um estado entre aqueles com maior presença feminina na Polícia Militar, o contingente de PFem é apenas cerca de 14% do total. Bicentenária, apenas em 1989 a PMBA aceitou o ingresso de mulheres.

A desproporcionalidade numérica entre gêneros se torna um desafio e as mulheres se sentem exigidas diariamente. Ainda assim, elas vão conquistando postos relevantes na hierarquia, como a Major Denice Santiago, famosa em todo o país com a Ronda Maria da Penha, ou como a Capitã Samanta Lacerda, Comandante da Companhia de Operações com Cães do Batalhão de Polícia de Choque, onde a médica-veterinária trabalha. Ter uma mulher na chefia “é uma referência, um modelo e um apoio”, entende a soldado.

São 4.848 mulheres como PFem e neste ano uma delas conseguiu ascender à patente de Tenente Coronel, a pediatra Ana Fernanda de Borja Gonçalves Dantas, do Quadro de Oficiais de Saúde (QOS). Um posto mais baixo da patente máxima, Coronel.

Copa América

A exigente rotina de médica-veterinária militar é recompensada pelo apego aos animais. Todos os dias, ao chegar ao Batalhão, os animais são checados um a um. Ao menor sinal de anormalidade, o animal é examinado para detectar a causa do problema. E se o assunto for parto, a soldado confessa que se sente “avó de cachorro”.

Os chamados cães de serviço, como os seres humanos, apresentam qualidades distintas. Escolher excelentes pais para reprodução, não garante uma ninhada uniforme geneticamente: alguns filhotes simplesmente não se interessam pelas atividades necessárias para ser um cão de serviço. Testes são feitos já nas primeiras semanas para identificar quais as habilidades que os animais possuem. No canil do Batalhão, há cães das raças Pastor-Alemão, Pastor-belga-malinois, Rottweiler, Labrador, Golden Retriever e border collie.

Uma característica que salta aos olhos para um candidato a cão de faro, é a disposição para brincar. O animal deve ser esperto, ativo, ágil e curioso. Ele é apresentado aos odores no treinamento e aprende por associação. Quando está qualificado para ir às ruas, consegue identificar os odores entendendo que cada acerto tem recompensa: pode ficar com o brinquedo que gosta.

Presente nos treinamentos dos cães-policiais, o atendimento veterinário é imediato em caso de alguma contusão ou machucado.

Caninos podem ser especializados em farejar drogas, explosivos ou pessoas em situações de tragédias. Para orgulho da PMBA seus cães estão tendo papel ativo na segurança da Copa América, que tem jogos de 15 a 29 de junho de 2019 na capital baiana.

Alguns cães possuem características que os fazem adequados para guarda, proteção e ataque (atividades de defesa em geral). Outros com temperamento sociável, são parceiros em atividades sociais e em escolas. Em comum, todo cão de serviço deve sentir confiança em seu parceiro humano para respeitar os comandos corretos sempre que for exigido.

Parece Clichê

Baixinha, como ela se define do alto do seu 1.55cm, confidencia que não pensava em ser Policial Militar. O detalhe é que se trata de uma presença com tamanha autoridade que o interlocutor nem nota a altura. Acreditou que o tamanho seria empecilho, mas tinha  justamente a altura mínima no edital de 2008.

Naquele ano, foi aconselhada a tentar o concurso da PMBA, que anunciou vagas no corpo operacional.

Foi aprovada logo no primeiro concurso público que participou na vida, sendo designada para servir em Juazeiro, perto  da faculdade de Medicina Veterinária da Univasf.

Já graduada em História, e com inquietação intelectual foi aprovada em três cursos: Letras, Agronomia e Medicina Veterinária. Em nenhum momento teve dúvidas para escolher.

Bom para a Polícia Militar que pôde aproveitar os seus conhecimentos e bom para a doutora Vera Lúcia, que está se especializando no cuidado de caninos, tendo concluído em 2017 o IV  Curso de Operações com Cães no Batalhão de Choque (COpCães).

Hoje é categórica ao analisar a jornada pessoal e profissional: “era para ser”, acredita. “Sei que parece clichê”, diz, “mas a Medicina Veterinária me escolheu”.

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